terça-feira, 17 de março de 2015

Viver o hoje.

Todos os dias, quando acordo, não tenho mais o tempo que passou...
(Renato Russo)



Um novo dia sempre trás consigo a possibilidade do "tudo novo".
O ontem já não importa mais e o amanhã ainda nem chegou pra se preocupar.
Preciso aprender a viver cada dia, pois cada um é único em sua essência e beleza impar.
Por essa razão, sou fascinado pela vida, assim mesmo, de jeitinho que ela é.
Vivendo essas besteiras que a gente vive, vendo que as mentiras que soam como verdades nos fazem melhor do que as verdades que soam como mentira.
Incrível como temos o dom de perceber que aquilo não vai dar certo, que estamos falando -e ouvindo - coisas que são ditas da boca pra fora e ainda nos apegamos à isso.
Amei?
Com certeza...
Hoje já não Amo mais?
Qualquer resposta será uma grande mentira.
E a chama que arde dentro de mim jamais hei de se apagar.
Por isso vou voltar a viver os dias, olhar pro alto, sentir o vento e os cheiros que com ele vem.

Fiquem com um lindo texto de Clarice Lispector que fala sobre isso, sobre:

Viver o hoje.

Nunca a vida foi tão actual como hoje: por um triz é o futuro.
Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa.
O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio.
Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna.
Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide.
De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje. O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia.

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