quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eu, eu mesmo e simplesmente... EU.





Às vezes dói muito você tentar ser você mesmo, pois ser você mesmo exige você se conhecer muito e tão bem. E será que eu realmente me conheço? Perguntei-me. Quais são as minhas necessidades? Quais são as minhas vaidades? Se é que a tenho...
E como fazer para conhecer a si mesmo? É possível se conhecer? Muitas vezes a gente acha que “se conhecer” é saber qual a cor que gosta ou a religião que se segue, ou a música que se ouve... E o sentimento de verdade? Aquele que está incrustrado dentro de nem eu mesmo sei onde é. Aquele desejo mais profundo, talvez insano. Algo que está além de sua compreensão humana, mesquinha e fugaz.
O que é Amar? Você sabe responder isso pra você mesmo, sinceramente? Isso está ficando confuso, meio sem nexo... Mas é tal como me sinto mesmo. Sem começo e nem fim, sem entendimento preciso. Essas palavras é justamente o que expressão o como me sinto.
Acho que no final das contas, ninguém sabe quem é você mesmo. E por que deveria saber, se isso não faz a menor diferença? Se todo mundo faz todo mundo da forma como melhor lhe convém. Eu mesmo vejo o outro como acho melhor ver. O que pensam de mim não me interessa. Eu acho, sei lá. Mas eu queria poder melhor me conhecer. Sim, conversar mais comigo, me entender bem. Acho que é por isso que gosto de sair sozinho, passear no Parque e ver as pessoas. Ver as árvores, o céu e sentir o vento tocar meu rosto com a leveza que mais nada no mundo consegue ter. Sentir o cheiro do mato molhado da chuva do dia anterior. Sentar na grama, ver uma pedra ostentar o brilho polido que não brilha mais. Imaginar o que seria de mim se eu não fosse eu mesmo? Será que isso me faria conhecer-me melhor?
Talvez não seja possível saber quem somos. Ou talvez já saibamos, mas não queremos mesmo ver. Eu gosto mesmo é de ser feliz. Não essa felicidade falsa que vemos em novelas e filmes, onde ter dinheiro e sucesso o torna o mais feliz de todos. É claro que dinheiro trás sim felicidade, mas isso não é tudo no mundo. Gosto de ser feliz comigo. Talvez isso seja Amor, ser capaz de sorrir sozinho, falar sozinho. Cantar.
Mas às vezes dói muito você tentar ser você. Por mais que não nos importemos com o pensamento alheio, ele tem o dom de nos ferir e nos colocar para baixo. Acabamos ouvindo a asneira do outro e voltamos uma casa do tabuleiro do jogo da vida. Reprimimos em nós a vontade imensa de ser um artista, ou de ser um mero andarilho. Condicionamo-nos a viver como vemos o que é viver. Acordar cedo, ir para o serviço, trabalhar e voltar para casa. A rotina rotineira de sempre, sempre igual. E esquecemo-nos dos sonhos de criança...
Ai de mim poder ser criança de novo! O pensamento puro e simples de poder brincar e ser feliz assim. Com balas e doces, sem pensar em doenças e em como isso pode estragar os dentes. Em correr, pular e brincar sem se preocupar com os ferimentos que isso pode nos trazer tão logo cair. E hoje tememos tudo! Tememos Amar, tememos sentir, tememos fazer. Não queremos nos machucar, o que era tão comum quando crianças. Achamos que é ridículo cantar desafinado aquela música que diz algo que lhe deixa bem, em paz. E ainda assim mentimos para nós, dizendo que somos livres! Que o trabalho dignifica o Homem. Que o estudo é tudo para se fazer gente...
Entristeço-me com o pensamento que tenho hoje. Queria muito poder ser simplesmente eu. Sem mais, nem menos. Apenas... EU! E eu não sei minhas vontades, não sei meus desejos. Ai, eu não sei de mim. Cada dia acordo achando que posso ser diferente, mas eu posso ser diferente? Talvez não ainda, talvez não agora.
Como fazer para conhecer a si mesmo? Eu não quero mesmo me conhecer. É gostoso acordar diferente a cada dia e ver que todo dia é mesmo diferente do um.
Viver...
Não tentemos mesmo nos conhecer. Sejamos livres, mesmo que a liberdade nos custe muito caro. E esse valor não se trata de dinheiro, trata-se de felicidade! Ser livre custa ser feliz! Ser feliz te faz livre! E isso é tudo o que realmente deve valer a pena!
Eu queria um dia ser simplesmente eu.
***

Thiago Assoni.
Inspirado, mais uma vez, por Clarice Lispector.
Por que ela escrevia para se conhecer melhor.
Escrevia por que sentia a necessidade de escrever, assim como qualquer outro sente a necessidade de beber água.
Por que ela não era uma escritora.
Um escritor tem o compromisso e o dever de escrever. E ela o fazia por que gostava de escrever!
Escrevia por que escrever a fazia viva. E a fazia ser, simplesmente, Clarice Lispector!