segunda-feira, 9 de maio de 2011
Conto - * O Vampiro Da Guarda * - por: Thiago Assoni
sábado, 7 de maio de 2011
* O Filho da Noite *
A Luz amarelada do banheiro não se fazia necessária, mas, por força do hábito, eu a mantive acessa.
Minha Pele, extremamente branca, parecia ganhar cor com a Luz refletida em meu rosto.Meu sobretudo preto já estava jogado por sobre a cama e agora eu tirava a camiseta.Sorri satisfeito ao me olhar no espelho de corpo inteiro, na outra parede do meu quarto...Ombros largos, braços grossos, barriga definida, peitoral irijecido...Perfeito!
Ainda parado ali na frente do espelho, percebi, no canto da boca, uma mancha...Vermelha...Sangue...
-Merda!-resmunguei, usando a camiseta que eu tirara para limpar a mancha.-Eu disse que ele podia levar o carro e me deixar ir embora...Mas não!Ele queria me levar também.Disse que me achou com cara de filhinho de papai, que ia conseguir uma grana com meu sequestro...Mas quando ele entrou no carro...
Eu ri sozinho, como se contasse o ocorrido para alguém.Eu ainda estava em frente ao espelho.
-Posso sentir o cheiro de medo que vinha dele...Os olhos arregalados daquele infeliz...
terça-feira, 3 de maio de 2011
- Para Refletir -
( http://thiagotad.blogspot.com/ )
Trouxe ele pra cá, pois acho ele muito interessante e, como sugere o título do POST, é mesmo PARA REFLETIR...
-Nem enche Pai!
Algo estava errado, era óbvio!Mesmo com ele resistindo, sentei-o no sofá. Tinha que falar com ele, um garoto tão jovem como ele revoltado daquele jeito?Em plenos nove anos de idade já assim...
-Diz pra mim, filho... O que foi que aconteceu?
-Aquele idiota do Marcos... -Quem seria Marcos?-Sempre me irritando, tenho raiva dele!Eu vou me vingar dele ainda!Ah se vou!
Eu bem podia imaginar o que estava acontecendo... Quem nunca passou por coisas assim na infância?
Tive uma idéia e levei o menino até o quintal. Deixei-o sentado na varanda enquanto fui até a cerca, do outro lado do quintal. Com um cabo de vassoura, fiz um boneco e levantei-o, junto à cerca de madeira. Voltei até a varanda, peguei um saco de carvão, abri e chamei meu filho...
-Vamos fazer uma coisa... Imagine que aquele boneco seja o tal menino que te irrita tanto... E esse saco de carvão são todas as coisas que você quer dizer pra ele, tudo aquilo o que você quer se vingar dele... Vá até um ponto do quintal e jogue todo o carvão nele!
-Pra que isso, Pai?
-Vai lá... Faz isso...
E lá se foi o menino. Dali da varanda, eu o lembrava de como o tal menino da escola o irritava, de como ele se sentia nervoso com o tal Marcos. Conforme eu falava as coisas, ele sentia-se cada vez mais furioso e jogava os carvões com mais e mais força, com mais raiva...
Assim que o saco de carvão ficou vazio, ele me olhou com interrogação nos olhos. Dali onde eu estava, perguntei:
-Como se sente?
-Sei lá... -disse ele com desdém. -A mesma coisa.
Eu já havia premeditado isso e levei um espelho para ele se olhar. Assim que ele se olhou no espelho, assustou-se...
-Pai! Estou todo sujo!Que horror!
-Pois é exatamente o que eu queria que você visse, filho...Assim é o que acontece na vida também...Além de você não melhorar em nada, quando você se vinga ou ofende alguém, você se deixa sujo.As coisas ruins daquilo que você joga no outro fica com você mesmo!Pense direito em como se vingar, se é que você deve se vingar de alguém...Vá tomar banho!
Reflita...Quantos carvões você tem jogado por aí?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Broken Again...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
" Rifa-se Um Coração " de Clarice Lispector.

Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu..."Não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero..."
Um idealista... Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,sendo simples e natural.
Um coração insensato, que comanda o racional, sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções
verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de
palavras e gestos.Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado.Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional,
que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abastado, indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer,
e se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado,provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.
" Who I am."

sábado, 4 de dezembro de 2010
Um Vento Que Varreu o Parque - Edição Especial

-E então, doutor?-indaguei, num misto de curiosidade e ansiedade.Eu estava impaciente.O tic-tac do relógio enchia o consultório tamanho era o silêncio.-Já tem o diagnóstico?
O doutor suspirou pesadamente e eu me preparava para ouvir algo que, com certeza, eu não iria gostar.
-O que o Kauã tem é algo que já suspeitávamos, visto os sintomas apresentados. -ele disse, enfim. – Os vômitos, cefaléia, desmaio...Os exames apontaram...Um Tumor no cérebro...Maligno!
O Silêncio de outrora fez-se ainda mais pesado.Nem o tic-tac ouvi mais.Senti o ar faltar, o chão sumir.Tentei falar, mas só consegui chorar.
E quando já em frente ao leito de Kauã, que repousava tranqüilo ao efeito dos remédios, lembrei que o doutor havia dito algo sobre a cirurgia ser arriscada devido seu estado debilitado. Mas eu não conseguia pensar em nada. Só queria estar com ele e assim ficar.
A Casa em frente ao Parque era nossa há dois anos e meio.Eu estava na sala de Piano olhando pela janela que tinha a melhor vista da casa: o lago do Parque.
Kauã cruzou a porta sem eu perceber, o que não me permitiu disfarçar o choro.Ele se aproximou e sorriu.Aquele sorriso que me encantava e sempre me fazia sorrir também.Seus olhos, agora rodeados por profundas olheiras, não perderam o brilho de sempre.Sua mão grande e macia capturou minha lágrima e ele disse calmo:
-Tem uma semana que saí do Hospital e você tá assim, pra baixo...
-Me preocupo com você. Tenho tanto medo de que você...
Por mais que eu tentasse não pensar no pior, era só o que eu tinha em mente. Não ajudava em nada falar sobre morte, mas era esse meu medo. Eu o Amava demais para vê-lo partir.
Kauã me surpreendeu com um demorado beijo e novamente sorriu, levantando e me puxando com ele, me levando Parque adentro. Eu ria qual criança sendo arrastada pela Mãe. Até pararmos em frente a uma árvore que eu reconheci de pronto.Sorri ao ver desenhado no tronco um coração com nossas iniciais.
-Os Carvalhos duram muito tempo, por isso escolhi um pra fazer esse desenho. – ele se aproximou, ainda sorrindo. – Não precisa ter medo de nada!Essa árvore vai estar aqui mesmo quando estivermos bem velhinhos.
Besta que sou, senti meus olhos encherem d’água.Como eu chorava tanto e ele conseguia ser tão forte?
-Tem mais uma coisa.-ele disse, me puxando de novo até em frente ao lago, onde eu já via a Lua refletida nas águas mansas e podia sentir o vento refrescar o calor.-Dois anos atrás, ao trocarmos nossa primeira aliança e eu ter feito aquele desenho, nós mergulhamos nesse lago.
Nem foi preciso dizer mais nada.Ri ao vê-lo se jogar na água e gritar pra eu ir também.E mesmo que eu não quisesse, seria tarde, pois ele jogava um bocado de água em mim.Fingindo estar furioso, me joguei como se querendo pegá-lo para uma briga e foi o que de fato aconteceu.Esmurrávamos o lago para jogar água um no outro.
Saímos da água e ficamos deitado na grama, olhando a Lua e as primeiras estrelas que surgiam.Kauã olhou para mim e sorriu, de novo...
-Obrigado!
-Por quê?
-Por estar sempre comigo, me fazer feliz...Simplesmente por existir...Eu Te Amo!
Preciso dizer que chorei?...
Quando cheguei em casa na manhã seguinte, queria logo contar para Kauã a novidade: Minha Banda gravaria o primeiro cd oficial!E eu estava eufórico, tanto que joguei minha mochila no sofá e corri para o quarto.Não o encontrei lá. Corri para onde imaginei que ele estaria.
Ao abrir a porta da sala de Piano, minha alegria morreu!Senti minhas pernas tremerem, meu sangue gelou.Meu coração saltava.Kauã estava caído ao lado do piano com um porta retrato na mão e nossa foto nele.
Meu grito saiu sôfrego.Toquei seu rosto gélido e percebi que era tarde demais pra fazer qualquer coisa.Num ato de loucura, talvez, lembrei do quanto ele gostava de me ouvir tocar, então, sentei em frente ao piano e dedilhei.Sua música preferida.As notas encheram a casa em luto...My Immortal...
A Sombra me acolhe.Vejo o Sol refletindo naquele lago a minha frente.O Carvalho é uma árvore que dura muito tempo.Minhas costas repousavam em seu tronco e meu coração estava gravado nele com duas iniciais...E eu apenas observava a cena, sozinho.Não há mais nada comigo, senão meu Amor Eterno que foi levado por Um Vento Que Varreu o Parque.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
O importante é ser VOCÊ.

As pessoas não são como a gente quer...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Teu Silêncio de Leni Martins.

resta-me falar por tí.
sábado, 28 de agosto de 2010
CONTO - "The Love is Gone" - por Thiago Assoni



