segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conto - * O Vampiro Da Guarda * - por: Thiago Assoni


  Do alto daquele prédio eu assistia o movimento viciado da cidade de São Paulo. Os postes que iluminavam as calçadas em pequenos intervalos, as pessoas que nunca paravam, os faróis dos carros que também iluminavam e refletiam no asfalto molhado... A São Paulo como todos conhecem.
  Ao meu lado, Yansumi observava tudo em silêncio. A jovem Oriental, que mais parecia uma personagem retirada de um desses Mangás, era iniciante, estava há pouco vivendo sua Morte na Penumbra. Ali, comigo, ela estava apenas para observar...
  O que já era de costume, deixe-me perder no vai e vem da Metrópole. Em meio a tanto movimento, percebi o momento em que uma moça apressou o passo. Ela abraçava sua bolsa e caminhava assustada.
  Ignorei-a e voltei minhas atenções para a noite. Porém, por mais que eu não quisesse me atentar àquela jovem que parecia amedontrada, já me era tarde. Sua voz falava dentro de minha cabeça, eu podia ouvir seus pensamentos...
  -“Deus... Me ajude!”.
  Assim sendo, procurei com os olhos a tal moça. Yansumi percebeu e olhou também. Vimos a tal andando rápido e olhando constantemente para trás. Ela fugia de alguém... Procurei com os olhos quem poderia ser e logo encontrei: Dois rapazes a seguiam...
  Ela estava com medo, e deveria estar mesmo! O que se passava na mente deles era realmente medonho! Roubar, estuprar, matar... Talvez não nessa ordem...
  Saltei para o prédio vizinho e me coloquei de maneira com a qual eu pudesse ver a rua além da esquina que ela virou. Por ordem minha, Yansumi continuou onde estava.
  A moça tentava escapar, mas o rapaz que vestia uma blusa azul correu até ela. Assustada, ela jogou a bolsa e correu também, mas ele foi mais rápido e a levou para um beco entre os prédios...
  O outro rapaz, que vestia uma jaqueta preta, parou em frente ao beco e eu vi o exato momento em que a lâmina brilho ao encontrara Luz do poste... Uma faca, talvez...
  A moça teve a boca tampada pela mão do rapaz de Azul. O da jaqueta foi indo em direção aos dois dentro do beco... E eu ali em cima, assistindo toda a cena...
  - Por favor... - a moça tentava falar. - Me deixem em paz!
  Ela falava baixo, mas eu ouvia tudo! E eu ouvia também Yansumi, que estava desesperada com tudo aquilo. Olhei para a Oriental e a tranqüilizei com um gesto de mão... Eu pedia para ela esperar...
  - Vamos deixar, querida... - o que a segurava riu.
  - Com certeza vocês vão deixá-la mesmo!
  Os três procuravam pela voz que parecia ter surgido do nada.O da jaqueta, que tinha a lâmina em mãos, parecia o mais nervoso. Eles ouviam a voz mas não sabiam de onde vinha...
  - Larguem-na e saiam daqui!
  O de Azul, que estava com a moça, usou-a como escudo e riu nervoso...
  - Aparece aê, oh Batiminho...
  Não sei como foi receber o golpe, mas vi a tal lâmina voar longe e o corpo do que estava com a jaqueta caiu morto no chão, com o pescoço quebrado.
  Meu sorriso com certeza foi assustador. Meus caninos eram anormais e meus olhos brilhavam escarlate, o vermelho tradicional...
  - O que é isso?
  O de Azul estava realmente muito assustado.
  - Você ainda pode viver!
  Eu sentia o cheiro dele... MEDO!
  - Bonita a lente, BAT-DRAG... - ele tentava manter o ar superior, mas já não estava mais com o controle da situação. - O que mais tem aí? Um batom biônico?
  - Sinto muito por você...
  Com certeza ele nem reparou o momento em que meu punho o acertou. Finalmente a moça se viu livre dele e correu para um outro canto.
  O rapaz estava atordoado, mas ainda assim sacou a arma e apontou para mim...
  - Fim de linha, gata negra... Vai morrer!
  E ele atirou! Meu corpo tombou e caiu, o que fez ele sorrir. Ele riu alto e eu pude ouvir o choro da moça, que correu dali. Ainda rindo, o rapaz foi até onde eu estava e se abaixou perto de mim, dando-me vários tapas no rosto...
  - Imbecil! - ele ria...Desesperado. - Morreu!
  Mas algo de errado aconteceu... Para ele!
  Minha mão segurou o pescoço dele e eu vi em seus olhos que o ar começou a lhe faltar...
  - Realmente, meu caro... - eu levantei e o levantei junto, tirando-lhe os pés do chão. - Morri mesmo... Há alguns anos!
  Com a outra mão, quebrei-lhe o pescoço e joguei seu corpo morto ao chão. Yansumi chegou ao meu lado nesse momento...
  - Seja rápida! Faça o que tem pra fazer e volte logo para casa...
  Deixei a Oriental ali e fui encontrar a tal moça...

* * * *


  As mãos trêmulas tentavam encontrar a chave certa para abrir a porta do apartamento. Tamanho era seu nervosismo que as chaves caíram da sua mão... Mas antes que o molho de chaves chegasse ao chão, eu o peguei...
  - É essa aqui! - eu entreguei a chave exata para ela.
  Ainda assustada, a moça iria gritar e correr, mas eu a segurei junto de mim e calei sua boca com minha mão...
  - Calminha aí, mocinha... - eu disse, sério. - Eles não vão mais voltar... Nunca mais!
  Senti que ela relaxou o corpo. Ainda estava nervosa, mas eu sabia... Ela não correria e nem gritaria mais... Assim sendo, eu a soltei.
  - O que você fez com eles?
  Olhei bem para os olhos dela... Eram lindos olhos, aqueles. Não era preciso ela saber a verdade.
  - Não se preocupe... Vai ficar tudo bem agora!
  - E você? - ela perguntou, bem mais calma agora. - Quem é?
  - Sou Tales!
  Eu fiz mesura e ela sorriu.
  - Meu Anjo da Guarda!
  - Não exatamente...
  Eu retribuí o sorriso. Ela virou-se para colocar a chave na fechadura da porta e, quando virou de volta, eu não estava mais ali.


* * * *


  Cheguei em meu apartamento e encontrei Yansumi mais corada, mesmo ela sempre tendo sido pálida. Ela não me perguntou nada, apenas chorava. Mas, naquele momento, eu pouco me importava com Yansumi, pra ser bem sincero, até comigo mesmmo. 
  O belo rosto daquela moça não me saía da mente. E, por mais que eu quisesse me lembrar, percebi que em momento algum eu soube o nome dela.
  Mal sabia ela que tipo de Anjo era eu. Na verdade, nunca um Anjo da Guarda.
  Eu era Tales!
  O Vampiro da Guarda...

Continua...



sábado, 7 de maio de 2011

* O Filho da Noite *

-Não posso me sentir mal!-gritei, em frente ao espelho.
A Luz amarelada do banheiro não se fazia necessária, mas, por força do hábito, eu a mantive acessa.
Minha Pele, extremamente branca, parecia ganhar cor com a Luz refletida em meu rosto.Meu sobretudo preto já estava jogado por sobre a cama e agora eu tirava a camiseta.Sorri satisfeito ao me olhar no espelho de corpo inteiro, na outra parede do meu quarto...Ombros largos, braços grossos, barriga definida, peitoral irijecido...Perfeito!
Ainda parado ali na frente do espelho, percebi, no canto da boca, uma mancha...Vermelha...Sangue...
-Merda!-resmunguei, usando a camiseta que eu tirara para limpar a mancha.-Eu disse que ele podia levar o carro e me deixar ir embora...Mas não!Ele queria me levar também.Disse que me achou com cara de filhinho de papai, que ia conseguir uma grana com meu sequestro...Mas quando ele entrou no carro...
Eu ri sozinho, como se contasse o ocorrido para alguém.Eu ainda estava em frente ao espelho.
-Posso sentir o cheiro de medo que vinha dele...Os olhos arregalados daquele infeliz...


* * * *
Com uma arma em mãos, ele entrou no meu carro, sentando-se no banco do passageiro.Ele me ameaçava o tempo todo, dizendo que iria me matar...
-Me matar?
-Anda logo!Faça só o que eu mandar!
Ele nem percebeu quando aconteceu, mas meus caninos já estavam à mostra e meus olhos brilhavam qual fogo.
-Que porra é essa, viadinho?
-Vou chupar seu sangue, infeliz!
-Ah tá...-ele riu, nervoso.-Vou te mostrar o que você vai chupar...
Ouvi o zíper da calça abrir, mas ele nem ao menos chegou a tocar seu membro...Puxei o braço dele e torci sem esforço e ouvi ossos quebrando.
Ele me olhou com medo...Meus olhos ainda brilhavam escarlatess e meus caninos brancos qual marfim marfim saltavam à boca.
-Que diabos é você?
-Tales, meu caro...Sua última vítima!
Não dei chances para ele se defender.Com a mão que eu tinha livre, quebrei-lhe o pescoço e lhe sorvi o sangue vivo...
* * * *
Voltei ao quarto...Parei em frente ao guarda-roupas e observei as corretntes que o selavam...Prata...
Bati na porta duas vezes...
-Eu poderia fazer o mesmo com você, Oriental...Mas você talvez não morreria...Agora, você só morre caso alguém lhe corte a cabeça ou lhe jogue em uma fogueira...
Ao lado do guarda-roupas, uma cômoda sevia de base para aquele grande molho de chaves.Peguei-o.Abri o cadeado que segurava as correntes...
Lá estava ela...A pobre moça Oriental...Vestida como uma personagem de mangá.Seus olhos negros, contraditoriamente enormes, choravam...Ela me olhou triste...
-Eu sei, Oriental...-eu disse triste, vendo-a triste.-Sei bem o que está sofrendo...Mas você é uma de nós agora...Também é um Filha Da Noite...
Estendi a mão para ela.Amedrontada, ela segurou minha mão pálida, mas quente com o sangue que acabara de sorver...
-Venha comigo...Está na hora de você aprender a caçar, Oriental...Vou te ajudar...
Continua...

terça-feira, 3 de maio de 2011

- Para Refletir -

Antes de começar o texto, devo dizer que este mesmo já foi "publicado" antes no meu Blog antigo* e não sei quem é o autor dele.Lembro que li em algum lugar e resolvi colocar lá, no de antes.
http://thiagotad.blogspot.com/ )

Trouxe ele pra cá, pois acho ele muito interessante e, como sugere o título do POST, é mesmo PARA REFLETIR...


Vi meu filho chegar da escola naquela tarde com uma cara feia, emburrado e nervoso... Chamei-o e ele foi logo dizendo:
-Nem enche Pai!
Algo estava errado, era óbvio!Mesmo com ele resistindo, sentei-o no sofá. Tinha que falar com ele, um garoto tão jovem como ele revoltado daquele jeito?Em plenos nove anos de idade já assim...
-Diz pra mim, filho... O que foi que aconteceu?
-Aquele idiota do Marcos... -Quem seria Marcos?-Sempre me irritando, tenho raiva dele!Eu vou me vingar dele ainda!Ah se vou!
Eu bem podia imaginar o que estava acontecendo... Quem nunca passou por coisas assim na infância?
Tive uma idéia e levei o menino até o quintal. Deixei-o sentado na varanda enquanto fui até a cerca, do outro lado do quintal. Com um cabo de vassoura, fiz um boneco e levantei-o, junto à cerca de madeira. Voltei até a varanda, peguei um saco de carvão, abri e chamei meu filho...
-Vamos fazer uma coisa... Imagine que aquele boneco seja o tal menino que te irrita tanto... E esse saco de carvão são todas as coisas que você quer dizer pra ele, tudo aquilo o que você quer se vingar dele... Vá até um ponto do quintal e jogue todo o carvão nele!
-Pra que isso, Pai?
-Vai lá... Faz isso...
E lá se foi o menino. Dali da varanda, eu o lembrava de como o tal menino da escola o irritava, de como ele se sentia nervoso com o tal Marcos. Conforme eu falava as coisas, ele sentia-se cada vez mais furioso e jogava os carvões com mais e mais força, com mais raiva...
Assim que o saco de carvão ficou vazio, ele me olhou com interrogação nos olhos. Dali onde eu estava, perguntei:
-Como se sente?
-Sei lá... -disse ele com desdém. -A mesma coisa.
Eu já havia premeditado isso e levei um espelho para ele se olhar. Assim que ele se olhou no espelho, assustou-se...
-Pai! Estou todo sujo!Que horror!
-Pois é exatamente o que eu queria que você visse, filho...Assim é o que acontece na vida também...Além de você não melhorar em nada, quando você se vinga ou ofende alguém, você se deixa sujo.As coisas ruins daquilo que você joga no outro fica com você mesmo!Pense direito em como se vingar, se é que você deve se vingar de alguém...Vá tomar banho!

Reflita...Quantos carvões você tem jogado por aí?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Broken Again...



Estou quebrado de novo...

É como ver aquele lindo castelo de areia que foi montado na beira do Mar ir embora o mais cedo que deveria ser...
Meu coração, que já era repartido em pedaços, conseguiu quebrar ainda mais agora...
Não sinto mais nada...
Nem Dor, nem tristeza...
Nem Amor...
Só me restou sentir Nada mesmo.
Joguei fora tanta coisa por isso.
Lutei contra minha mania de Não Amar pra voltar a sentir isso...
Pra quê?
Pra me quebrar de novo.
E ainda eu sou o que não entende.
Eu que sou o irônico e grosso da tudo...
Se soubessem o quanto meu coração foi pisado..
Se soubesse o que me fiz pra tentar Amar de novo...
E, quando Amo...
Ele vai embora, num simples telefonema.
Quer me ver e conversar comigo.
Como se fosse resolver alguma coisa.
ACABOU!
Foi o que eu ouvi.
O que mais preciso saber?

Mas eu se que isso passa...
Depois da tempestade, brilha o arco-íris, não é o que dizem por aí?
Mas acho que minhas cores deixaram de existir há algum tempo...

Eu estou quebrado de novo...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

" Rifa-se Um Coração " de Clarice Lispector.



Falei tanto sobre Clarice Lispector, sobre a Genialidade Sagitariana dela, que resolvi postar este que achei o melhor texto dela até agora.
Quem me mandou foi a Tasha, minha amiga.Quando li, me vi descrito nele.Coisas de Sagitariano.

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu..."Não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero..."
Um idealista... Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.

Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,sendo simples e natural.
Um coração insensato, que comanda o racional, sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções
verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.

Esse coração que erra, briga se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de
palavras e gestos.Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado.Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional,

que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abastado, indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o
seu usuário.

Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer,
e se recusa a envelhecer".

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.

Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.

Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado,provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio,sem raça, sem pedigree.

Um simples coração humano.Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

" Who I am."


"Sim, tenho muito Orgulho de ser o que sou, como sou, da forma que sou!
À flor da pele, sentimental e grosseiro, uma muralha rude de coração mole.
Um rosto que ri pra um coração chorar.
Que sempre abraça mas quer cortar seus próprios braços,
Que beija pensando em arrancar sua própria boca.
Que AMA...SE Ama...
Que se fode...Se féri...
Mas faz de um tudo pra nunca ferir, entretanto,
Se me coloco a dispor pra ferir alguém...
Não restará pedra sobre pedra deste alguém...
Eu, particularmente, sou de Lua.
Paradoxo.
Metamorfose Ambulante.
Um Alquimista da Vida.
Sou de Fogo!
Eu queimo mesmo, mas esqueço que posso me ferir com minhas chamas...
Assim sou eu...
Tão frágil e tão mortal como qualquer Ser Humano normal que caminha por desvairada Paulicéia.
De carne, osso, Alma e Sangue..."

Esse sou eu...
Esse é o Thiago Assoni.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um Vento Que Varreu o Parque - Edição Especial

Na verdade, essa "história" é diferente numa outra "Obra" que fiz.Trata-se de um conto que eu me inspirei na História Original, que é do KIO.Ele me mandou a versão dele, que eu aumentei e fizemos um futuro Livro.Esse é o nome.Mas o que vocês vão ler agora não é muito parecido com o que está escrito na verdadeira "Obra".

Comentem...



-E então, doutor?-indaguei, num misto de curiosidade e ansiedade.Eu estava impaciente.O tic-tac do relógio enchia o consultório tamanho era o silêncio.-Já tem o diagnóstico?

O doutor suspirou pesadamente e eu me preparava para ouvir algo que, com certeza, eu não iria gostar.

-O que o Kauã tem é algo que já suspeitávamos, visto os sintomas apresentados. -ele disse, enfim. – Os vômitos, cefaléia, desmaio...Os exames apontaram...Um Tumor no cérebro...Maligno!

O Silêncio de outrora fez-se ainda mais pesado.Nem o tic-tac ouvi mais.Senti o ar faltar, o chão sumir.Tentei falar, mas só consegui chorar.

E quando já em frente ao leito de Kauã, que repousava tranqüilo ao efeito dos remédios, lembrei que o doutor havia dito algo sobre a cirurgia ser arriscada devido seu estado debilitado. Mas eu não conseguia pensar em nada. Só queria estar com ele e assim ficar.

A Casa em frente ao Parque era nossa há dois anos e meio.Eu estava na sala de Piano olhando pela janela que tinha a melhor vista da casa: o lago do Parque.

Kauã cruzou a porta sem eu perceber, o que não me permitiu disfarçar o choro.Ele se aproximou e sorriu.Aquele sorriso que me encantava e sempre me fazia sorrir também.Seus olhos, agora rodeados por profundas olheiras, não perderam o brilho de sempre.Sua mão grande e macia capturou minha lágrima e ele disse calmo:

-Tem uma semana que saí do Hospital e você tá assim, pra baixo...

-Me preocupo com você. Tenho tanto medo de que você...

Por mais que eu tentasse não pensar no pior, era só o que eu tinha em mente. Não ajudava em nada falar sobre morte, mas era esse meu medo. Eu o Amava demais para vê-lo partir.

Kauã me surpreendeu com um demorado beijo e novamente sorriu, levantando e me puxando com ele, me levando Parque adentro. Eu ria qual criança sendo arrastada pela Mãe. Até pararmos em frente a uma árvore que eu reconheci de pronto.Sorri ao ver desenhado no tronco um coração com nossas iniciais.

-Os Carvalhos duram muito tempo, por isso escolhi um pra fazer esse desenho. – ele se aproximou, ainda sorrindo. – Não precisa ter medo de nada!Essa árvore vai estar aqui mesmo quando estivermos bem velhinhos.

Besta que sou, senti meus olhos encherem d’água.Como eu chorava tanto e ele conseguia ser tão forte?

-Tem mais uma coisa.-ele disse, me puxando de novo até em frente ao lago, onde eu já via a Lua refletida nas águas mansas e podia sentir o vento refrescar o calor.-Dois anos atrás, ao trocarmos nossa primeira aliança e eu ter feito aquele desenho, nós mergulhamos nesse lago.

Nem foi preciso dizer mais nada.Ri ao vê-lo se jogar na água e gritar pra eu ir também.E mesmo que eu não quisesse, seria tarde, pois ele jogava um bocado de água em mim.Fingindo estar furioso, me joguei como se querendo pegá-lo para uma briga e foi o que de fato aconteceu.Esmurrávamos o lago para jogar água um no outro.

Saímos da água e ficamos deitado na grama, olhando a Lua e as primeiras estrelas que surgiam.Kauã olhou para mim e sorriu, de novo...

-Obrigado!

-Por quê?

-Por estar sempre comigo, me fazer feliz...Simplesmente por existir...Eu Te Amo!

Preciso dizer que chorei?...

Quando cheguei em casa na manhã seguinte, queria logo contar para Kauã a novidade: Minha Banda gravaria o primeiro cd oficial!E eu estava eufórico, tanto que joguei minha mochila no sofá e corri para o quarto.Não o encontrei lá. Corri para onde imaginei que ele estaria.

Ao abrir a porta da sala de Piano, minha alegria morreu!Senti minhas pernas tremerem, meu sangue gelou.Meu coração saltava.Kauã estava caído ao lado do piano com um porta retrato na mão e nossa foto nele.

Meu grito saiu sôfrego.Toquei seu rosto gélido e percebi que era tarde demais pra fazer qualquer coisa.Num ato de loucura, talvez, lembrei do quanto ele gostava de me ouvir tocar, então, sentei em frente ao piano e dedilhei.Sua música preferida.As notas encheram a casa em luto...My Immortal...

A Sombra me acolhe.Vejo o Sol refletindo naquele lago a minha frente.O Carvalho é uma árvore que dura muito tempo.Minhas costas repousavam em seu tronco e meu coração estava gravado nele com duas iniciais...E eu apenas observava a cena, sozinho.Não há mais nada comigo, senão meu Amor Eterno que foi levado por Um Vento Que Varreu o Parque.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O importante é ser VOCÊ.


As pessoas não são como a gente quer...
As coisas não sou como queríamos que fosse...
Não somos Amados por quem Amamos...

Isso tudo é muito comum de acontecer.
Basta você ter uma maneira forte de ver as coisas.
Você é único!
Seja Você, sempre!
Não existe mais o Ontem.
O Amanhã ainda não chegou.
Então, viva o seu AGORA!
Você é o seu Agora, você vive o momento.
O que é muito importante pra você Hoje, pode não ser mais amanhã.
Tudo é relativo, as coisas mudam e principalmente nossas opiniões.
Desde que você começou a ler este texto até o seguinte momento, algo já mudou.
Talvez sua maneira de ver a vida, talvez você me ache mais imbecil - ou não.
Talvez você leia mais meu blog, ou deixe de lê-lo definitivamente, enfim.
TUDO MUDA!
E é pra isso que vivemos.
Não páre no tempo, continue vivendo um dia após o outro como se cada um fosse seu último.
Pré-ocupar-se com o Amanhã vai te aborrecer.
O Tempo é agora, então, viva-o.
Se der, deu.Que bom.
Se não der, ok.Era o que você podia fazer.
Pense que você é único!
Viva para você!
Fazendo o Bem pra você, fará o Bem para os outros!

NADA é como queríamos que fosse.
E você pode mudar isso...
Ou não.
Mas você ainda pode ser, simplesmente, VOCÊ!

Nota pessoal: Ler o livro "Atitude" do Luiz Antônio Gasparetto tem sido muito bom!
Eita, Tio Gaspa...Ele é o cara!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Teu Silêncio de Leni Martins.

O site byMK tem mesmo de tudo!
A usuária TamyReis publicou um Set incrível (foto) com um Poema lindíssimo da Leni Martins.
Espero que gostem assim como eu gostei e trouxe pra cá.

Corta-me o teu silêncio
No meio do meu peito
Como navalha amolada
Cortando aos poucos
Cruel e gelada

O teu silêncio apaga
A unica chama que me resta
A unica luz que me arrebata

Um silêncio que me cala
Que me amarra e sufoca
Na forca dos incompreendidos
No nó que me enrrosca

O teu silêncio queima-me
Com febre de não te ouvir
Arde como brasa dentro de mim
Teu silêncio é como o fogo
a me consumir
E nas chamas deste teu silêncio
resta-me falar por tí.

Leni Martins


Veja mais no Blog dela: http://poemagotico.blogspot.com/

sábado, 28 de agosto de 2010

CONTO - "The Love is Gone" - por Thiago Assoni


O revólver caiu ao seu lado assim como parecia acontecer com sua alma ou tudo que parecia haver dentro de si...
Seus olhos se desmanchavam na maquiagem negra e perfeita de outrora. O batom se misturava ao vermelho do sangue que havia entre seus dedos.
O vestido preto se abria no chão, deixando o scarpin no tom da boca amostra. E o corpo de seu amado jazia ainda quente ali na sua frente.
Ela ainda tremia quando tentou arrumar seus longos e volumosos cabelos loiros no espelho que pendia da parede em 90°.
Pegou as chaves do carro dele e saiu do quarto. Na sala, bebeu de uma só fez o restinho do uísque que tinha no copo que repousava sobre a mesinha de centro.
As rosas também estavam ali, assim como o corpo da amante. Essa última que abriu a porta, vestida somente com a camisa flanelada que ela, a assassina, dera para o fulano que agora esfriava no piso do quarto.

***

Colocou a chave no contato, girou e não ouviu nenhum ruído sair do motor. Abriu o portão automático e logo ganhou as ruas.
Não se atentou aos carros que buzinaram quando ela passou direto pelo cruzamento. Não olhou o sinal vermelho um pouco mais adiante.
“Cinco anos de namoro.” - pensava ela.
Eles comemorariam cinco anos de namoro naquela noite. Pelo menos para ter sido assim.
Afundou o pé no acelerador e via as ruas ficando para trás cada vez mais rápido. Costura entre os carros, continuava avançando os faróis vermelhos... 
Estava cega de ódio, rancor e amargura. Não conseguia acreditar no que ele fizera. Não conseguia acreditar no que ela própria tinha feito.
Era dor demais para aguentar. Isso não podia acontecer, nada deveria ter sido assim...
As lembranças doíam demais e as lágrimas inundavam seus olhos, deixando sua visão cada vez mais turva. 
Ainda assim, continuou com o carro em alta velocidade. Ela sabia o que buscava agora, pois não conseguiria viver mais depois daquele dia.
E tudo o que ela queria, enfim, aconteceu...

***

A Cegonheira tinha aproximadamente vinte metros de comprimento. Na velocidade a qual estava, seria mesmo fatal!
E tudo foi rápido demais...
O som dos pneus freando, ferro retorcido, vidro quebrando...
Eles se perderam...
O Amor se foi...